Com um bom plano de negócio é possível tirar uma idéia da cabeça, estruturá-la no papel e aplicá-la. Veja como.


Que o brasileiro é bastante criativo, a gente já sabe. Muitos talvez não tenham as oportunidades e condições propícias para fazer tantas idéias virarem bons e promissores negócios. A burocracia, os juros altos, os longos caminhos para a liberação de crédito e a demora no retorno são alguns dos entraves para quem se dispõe a empreender e arriscar-se.

Eduardo Vilas Boas, professor, doutorando em Administração pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e sócio da Empreende e do portal Plano de Negócios, ressalta também que a capacitação é muito importante. Apesar do brasileiro ser conhecido como empreendedor, “a taxa de inovação é muito baixa. Talvez seja resultado da educação empreendedora que as pessoas têm – elas não pensam muito em inovar ou criar algo novo. A gente é empreendedor, mas em negócios que já existem. Se a gente tivesse maior educação formal, maior educação empreendedora, a gente criaria negócios mais inovadores”.

É importante saber que o Brasil tem mais de cinco milhões de empresas, de acordo com dados do Sebrae. As micro e pequenas representam 98% do total e são responsáveis por 20% do PIB (Produto Interno Bruto). Como já vimos aqui no Portal HSM, na próxima década os profissionais liberais e empreendedores devem representar 40% da população economicamente ativa e menos da metade deve permanecer no sistema de CLT – contratos com registro em carteira de trabalho. Considerando que o Brasil está entre os dez países mais empreendedores do mundo, dar asas à imaginação é possível sim, mas com segurança, um bom plano e muito conhecimento.

A boa notícia é que não faltam consultorias especializadas, além de uma vasta literatura sobre empreendedorismo, para o cidadão não entrar num barco furado. Ter uma idéia é o primeiro passo. Se ela é boa ou não, vai depender de uma série de análises e muita informação.

O que não vale neste jogo é descartar uma hipótese antes mesmo de discuti-la. Para boas oportunidades sempre tem recursos, segundo Vilas Boas. “Tem de fazer acontecer. O sonho do empreendedor tem de ser grandioso, mesmo que ele comece pequeno, ele tem de pensar num futuro, onde ele vai englobar muita coisa, vai dominar o mercado, ganhar muito dinheiro. Então, tem de pensar grande. Sempre”, salienta o consultor.

Para quem está disposto a levar a idéia de um negócio adiante é preciso saber quais as chances do novo projeto vingar e se fortalecer. O professor destaca um ponto que deve ser tratado com muito cuidado – a paixão. Ela envolve o sonho, mas pode atrapalhar a avaliação crítica do plano.

“A paixão, ao mesmo tempo que é essencial, pode deixar o empreendedor “cego” aos pontos fracos da idéia e ele pode superestimar o mercado, subestimar os custos. E assim, ele tem um plano de negócios que não traduz a realidade”, ressalta Vilas Boas.

Apesar de não existir uma receita, alguns passos para transformar idéias em negócios podem ser seguidos, e sob o domínio da razão. Confira.

1) Acreditar que o sonho possa render lucros: é hora de perguntar-se se a idéia é inovadora, se alguém já fez, porque precisa ser diferente ou acrescentar algo ao que os concorrentes já têm.
2) Conhecer o perfil do empreendedor: saber quais são os traços de comportamento, a personalidade, se vai suportar as pressões e as demandas, se realmente gosta do que vai fazer, se é uma pessoa criativa e se está disposta a correr riscos. Não podem ficar de fora desta avaliação o conhecimento técnico sobre a área que pretende atuar e a capacidade de gerenciamento.
3) Fazer o plano de negócios: colocar no papel todos os detalhes possíveis que envolvem o projeto é essencial para amadurecer a idéia.
4) Coletar informações: as pesquisas sobre o mercado, a concorrência e o público-alvo são primordiais também. Conhecendo o perfil do consumidor, fica mais fácil direcionar a “produção”.
5) A propaganda sempre foi a alma do negócio. Portanto, é bom pensar também na estratégia de marketing.
6) Elaborar a previsão de custos e receitas. E isso precisa ser feito em bases reais.
7) Buscar o crédito: saber, com antecedência, onde conseguir recursos. Deixar para a última hora pode dificultar a negociação de boas condições para o empréstimo. E de acordo com os especialistas, bancos devem ser as últimas opções.
8) Conhecer os aspectos legais sobre o processo de abertura de uma empresa e a legislação que orienta a atividade.
9) Formação: por mais que tenha afinidade com o negócio, manter-se atualizado é uma forma de não ser engolido pela concorrência.
10) Com a idéia mais estruturada, pedir uma avaliação do plano a consultores, pessoas que já dominam o ramo e até mesmo a amigos que conhecem o perfil do empreendedor. Se a idéia inicial não mostrar-se tão promissora, reavalie as estratégias. Afinal, um empreendedor de sucesso não vai desistir diante da primeira pedra no caminho.

Portal HSM
- http://www.hsm.com.br
ACESSADO EM: 13/07/2011

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